O que são as pedras naturais de afiação japonesas (JNATs)?



Muitos milhões de anos atrás, no Oceano Pacífico, partículas vulcânicas e marinhas transportadas pelo ar se estabeleceram no fundo do oceano. Com o tempo, esse sedimento se transformou lentamente em xisto silicioso. O uso desse xisto carregado de sílica como pedras de amolar provavelmente antecede a primeira espada do Japão. No entanto, eu imagino que o foco em Tennen Toishi (天然砥石) aumentava à medida que a tecnologia de fabricação de espadas progredia.

Em 1190 dC, Honma Touzayemon de Umegahata apresentou pedras de afiar a Gotoba, o 82º imperador, anteriormente um feroz guerreiro que afiou suas próprias espadas, Gotoba achou notáveis ​​as pedras de afiar de Touzayemon e depois solicitou a Minamoto no Yoritomo (primeiro Shogun de Kamakura Shogunate) para nomear Touzayemon como o chefe das pedras de afiar japonesas. A mina de Nakayama tornou-se a mina de pedras de amolar Imperial do Shogunato Muromachi, logo seguida da exploração da mina Shoubudani, o que desencadeou eventos que levaram à encarnação do termo - Honyama. 

O primeiro nome Honma, foi encurtado e seguido da palavra montanha - Hon-Yama - montanha de Hon para definir as pedras extraídas daqueles locais excepcionais, os quais forneciam maravilhosos níveis de afiação e polimento às espadas. Nos tempos modernos, o termo Honyama tornou-se um pouco genericamente aplicado às pedras de amolar mineradas em todo o Japão, e não apenas às de Nakayama e Shobudani. 


Porque usar pedras naturais?

As partículas de abrasivos das pedras naturais são desiguais em seus tamanhos e os "dentes" da borda resultante também serão desiguais, tornando a faca mais afiada por mais tempo, pois os "dentes" desgastam desigualmente as pedras naturais em uma taxa muito mais lenta que a sintética. As pedras naturais de bom tamanho duram uma vida inteira. 

As pedras naturais removem rebarbas mais facilmente do que as pedras sintéticas, portanto, uma faca fica muito mais afiada e mantém a afiação por muito mais tempo. As pedras naturais criarão um acabamento nebuloso chamado kasumi. Você não precisa acreditar no texto. Utilize uma faca afiada por um longo período e verifique a diferença no desempenho quando uma faca é afiada em pedras naturais ou sintéticas.


Como selecionar pedras

Em geral, pedras naturais mais macias são mais úteis para facas de cozinha e são mais fáceis de usar do que pedras mais duras, por isso é melhor começar com pedras mais macias e obter pedras mais duras à medida que suas habilidades melhoram. As pedras mais macias serão mais gentis com o fio e, embora mais lentas, tolerarão alguma variação de ângulo da sua mão, aonde uma pedra muito dura e muito abrasiva não aceitaria descuidos e comeria rapidamente todo aquele fio agudo da borda da lâmina que você estava lutando pra construir.

Para polimento também são utilizadas pedras macias, para que risquem o ferro e não risquem o aço, mostrando a linha de têmpera (hamon) ou a linha de caldeamento (solda entre o aço e o ferro realizado na técnica sanmai). Algumas pedras muito duras e finas podem arranhar o ferro macio ( jigane) da cobertura da faca tradicional japonesa, e o aço duro do centro (hagane), o que devemos evitar que ocorra. isso não é porque a pedra é ruim, mas porque o aço é mais macio do que a pedra, então você deve usá-las com cuidado e usar essas pedras apenas com bastante slurry e pressão leve se for polir. Pedras duras e finas geralmente são as pedras mais raras e caras. Estas pedras são muito boas para ferramentas e navalhas pois com técnica adequada fornecem um fio extremo rapidamente. 

Não falarei muito aqui sobre pedras de minas e estratos raros, pois acho que o mais importante é conseguir uma pedra que funcione melhor em sua faca ou navalha, e pode não interessar tanto de que mina e estratos provém. No entanto, para fins de esclarecimento, todas as pedras no site incluirão um nome da mina , estratos dos quais a pedra foi extraída, uma descrição da aparência e um nível de dureza (veja o artigo sobre essas classificações na StonePédia.


As JNATs estão se tornando escassas porque muitas das minas estão esgotadas após séculos de extração. Com o interesse na afiação de espadas, ferramentas de carpintaria especializada e instrumentos agrícolas, sua utilização foi largamente difundida. Embora mineradas em diversos pontos do Japão, essas pedras foram extraídas ao longo dos anos nos arredores do monte Atago, no distrito de Narutaki, perto de Kyoto, e são bem apreciadas pelos profissionais. 

Hoje, atualmente apenas a mina de Maruoyama está ainda em atividade, e raramente a mina de Ohira. De fato, a maioria das minas foi fechada há 60-70 anos, e o estoque atual de pedras com seus kanji vem de matéria-prima escavada antes do fechamento da mina. Tdas as vendas no Japão agora são feitas por alguns atacadistas: Tanaka, Imanishi, HaTanaka, Asano e alguns outros, os quais têm grandes quantidades de matéria-prima antiga das minas: Ohira, Ozuku, Nakayama, Shobudani, Okudo etc. 

A demanda por certos tipos de pedras (por exemplo, Kiita ou Suita) determina qual das matérias-primas será processada primeiro e qual seu valor pela demanda. No Japão, a maior demanda por pedras vem de carpinteiros e polidores locais, não de usuários de facas high-end ou navalhas. Como o número de pessoas no Japão que compram e usam pedras naturais para navalhas e facas é inferior a 1% da participação total do mercado e as pedras de qualidade "razor" são muito duras e finas, geralmente não são utilizáveis ​​em facas ou ferramentas porque arranham o aço mais macio, sendo pedras de pouca utilidade para carpinteiros ou chefs ocupados com facas de aço mais macio (ou seja, 99% da participação no mercado), cujas ferramentas precisam ser mantidas com o mínimo de trabalho possível) as pedras finas não são muito procuradas e, devido à sua baixa demanda geral em comparação, são às vezes consideradas menos valiosas. Isso, no entanto, não significa que elas sejam ruins, longe disso. Apenas são para um trabalho diferente. Além disso padrões de cor raros, tamanhos maiores, regularidade e homogeneidade também influenciam o valor da JNAT.

Algumas pedras, como as Asano Naguras e as uchigomori, escassas e altamente demandadas por carpinteiros artesanais e polidores de espadas (togishi) são exemplos de como podem ser específicas no seu uso. Hoje há cada vez menos delas no mercado, pois sua necessidade não pode ser suprida por pedras artificiais e o estoque cada vez mais esgotado, especialmente aquelas com procedência certificada e garantia de qualidade.

JNATs são mais macias do que as pedras geralmente encontradas em outras áreas do mundo (como por exemplo as Arkansas americanas e as Coticule belgas) e por causa de isso eles não "esmaltam" tanto a superfície quanto as pedras mais duras, pois o material de cima é constantemente desgastado e um novo é exposto à medida que você afia. Isso facilita a manutenção de partículas abrasivas constantemente e mantém a abrasividade da pedra.

As JNATs, podem ser macias, duras, grossas ou finas. Quanto mais grossa e abrasiva, mais adequada ao trabalho inicial de desbaste e definição da geometria e bisel. Pedras mais finas e mais macias são geralmente intermediárias, para afiação de facas ou retirada dos riscos decorrentes dos estágios iniciais de afiação (o processo de afiação inicial, correção de geometria e desbaste, definindo todos os ângulos da lâmina se chama honbatsuki e é um importante trabalho do polidor ou togishi). Para definição de microfio, estágios finais de afiação de facas cujo aço tolere ângulos muito agudos, afiação de navalhas ou para espadas, serão utilizadas as pedras de afiação extremamente duras e finas, as awase-do (合砥 ). 


Mensagem final: Melhor uso para JNATS: 

  • Pedras macias: iniciantes, ferramentas, facas de cozinha, outras facas 
  • Pedras médias: acabamento de ferramentas, facas de cozinha , navalhas para iniciantes
  • Pedras duras: navalhas, para fazer o "ura" em facas e ferramentas high end

Ao fim e ao cabo, o que importa é a tarefa em mãos e os resultados desejados.

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